Vírus para Mac rouba senhas e arquivos usando as próprias ferramentas do sistema
Um malware chamado Amos Stealer está atacando computadores Mac em campanhas ativas, usando utilitários nativos do macOS para roubar senhas, cookies e chaves de acesso sem levantar suspeitas.

O Mac também é alvo e esse vírus é especialmente silencioso
Existe um mito persistente no mundo da tecnologia: Mac não pega vírus. Ele nunca foi verdade, mas um malware identificado recentemente deixa isso ainda mais claro. O Amos Stealer está sendo usado em campanhas ativas contra usuários e empresas que utilizam computadores Apple, com um método de ataque que dificulta muito a detecção.
A descoberta é da empresa de segurança CyberProof, que identificou a distribuição do malware por meio de downloads falsos, sites fraudulentos e engenharia social ou seja, páginas que imitam softwares legítimos ou mensagens que convencem o usuário a baixar algo.
Como o ataque funciona na prática
O que torna o Amos Stealer perigoso é justamente o que o torna invisível: ele não instala programas estranhos. Em vez disso, abusa de ferramentas que já existem no macOS.
Tudo começa com um comando usando o curl, utilitário nativo do Mac para transferir arquivos pela internet. Esse comando baixa um script malicioso em silêncio sem alertas, sem janelas, sem nada visível na tela. Em seguida, o script aciona o AppleScript, outra ferramenta nativa da Apple, para iniciar a coleta de dados.
O que é coletado é extenso:
- Senhas e cookies salvos no Google Chrome e Microsoft Edge
- Banco de dados do Keychain o gerenciador de senhas integrado ao macOS, que pode conter credenciais corporativas e tokens de autenticação
- Arquivos de configuração como chaves SSH, configurações de Kubernetes e Git itens que abrem acesso a servidores, repositórios e ambientes de nuvem
Tudo é compactado em um único arquivo usando o ditto (mais uma ferramenta nativa do Mac), dividido em partes de 10 MB e enviado ao servidor dos criminosos via HTTP. Se o envio falhar, o sistema tenta novamente até oito vezes.
O detalhe que complica a detecção
Após enviar os dados, o malware apaga os próprios rastros: deleta o arquivo compactado e a pasta temporária criada durante o processo. Isso significa que, em muitos casos, a infecção passa sem deixar evidência visível especialmente em empresas que não monitoram ativamente o que acontece nos seus computadores.
Imagine um colaborador com acesso ao sistema financeiro da empresa usando um Mac sem monitoramento. Um download errado e todas as credenciais corporativas podem estar nas mãos de criminosos antes que alguém perceba.
O que fazer para se proteger
A CyberProof recomenda medidas práticas que qualquer empresa pode adotar:
- Reforçar as políticas do Gatekeeper, o sistema de verificação de aplicativos do macOS, para bloquear programas de fontes não verificadas
- Manter o XProtect atualizado o antimalware nativo da Apple precisa estar sempre na versão mais recente
- Aplicar atualizações de segurança assim que forem lançadas, sem adiar
- Monitorar comandos curl incomuns nos endpoints isso pode identificar tentativas de infecção antes que o malware complete a execução
- Restringir privilégios administrativos nos dispositivos corporativos, reduzindo o impacto de um eventual comprometimento
Em ambientes corporativos, contar com uma solução de proteção avançada que monitore comportamento e não apenas assinaturas de vírus conhecidos faz toda a diferença. Antivírus básico não detecta esse tipo de ataque. A proteção real exige monitoramento contínuo dos endpoints, independentemente do sistema operacional.
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